Publicado por: tathianatrocoli em: 28/11/2009
Um novo estudo traz esperanças para os pacientes portadores da Doença de Parkinson. Trata-se de uma terapia gênica tripla, testada em primatas, que fez com que os animais recuperassem 80% da sua motricidade. Além disso, o benefício manteve-se por vários meses sem que surgissem efeitos colaterais secundários. O estudo já está sendo aplicado em seis pacientes humanos.
A Doença de Parkinson é uma patologia crônica degenerativa do sistema nervoso central, afetando especificamente as células da substância negra que produzem dopamina, ocorrendo mais frequentemente após os 50 anos de idade. Essa diminuição na produção de dopamina faz com que o paciente apresente alterações motoras particularmente incapacitantes, como a rigidez muscular, o tremor de repouso, a lentidão de movimentos (hipocinesia) e a instabilidade postural.
O tratamento atual mais usado consiste em reposição de L-Dopa, um precursor da dopamina que estimula a produção deste neurotransmissor. Entretanto, com o uso a longo prazo, a L-Dopa apresenta o inconveniente de induzir movimentos bruscos anormais (discinesias). Alguns pacientes também já fizeram tratamento com estimulação elétrica cerebral profunda, que nada mais é do que a implantação de eletrodos em áreas específicas do cérebro. Esse tratamento é efetivo para controlar os sintomas da doença de Parkinson, diminuíndo a necessidade do uso da L-Dopa em larga escala, mas tem como desvantagem o fato de ser um procedimento cirúrgico extremamente invasivo.
Foi pensando em uma forma de controlar a liberação de dopamina no cérebro, já que é a estimulação irregular que faz com que a L-Dopa cause movimentos anormais, que os pesquisadores criaram a terapia gênica. O princípio desta terapia não está na substituição de um gene defeituoso, tendo em vista que a doença de Parkinson só é hereditária em 15% dos casos, mas sim incluir três genes necessários para a síntese de dopamina. O desafio era introduzir esses novos genes no organismo. Para isso, foi utilizado um vírus inofensivo da mesma família do HIV.
O estudo inicialmente foi feito em 18 macacos com a doença induzida quimicamente. Eles foram separados em três grupos: seis animais receberam injeções bilaterais com os genes no nível do corpo estriado (região cerebral intimamente relacionada com a substância negra, que participa da via dopaminérgica); o segundo grupo recebeu o vetor viral, mas sem os genes terapêuticos; e o último grupo serviu de controle, sem receber nenhuma terapia.
Após quatro a seis semanas, os animais que receberam o tratamento experimental tiveram uma melhora de 80% em sua motricidade. Este resultado manteve-se estável pelos 12 meses de duração do estudo. Além disso, ao contrário do tratamento com L-Dopa, a terapia gênica não produziu movimentos anormais e nem outros efeitos colaterais. O resultado positivo do estudo deve-se ao aumento nos níveis de dopamina na zona injetada com os genes terapêuticos.
O próximo passo é saber se esses resultados favoráveis serão reproduzidos em humanos. Alguns ensaios clínicos começaram a ser feitos em seis pacientes com a doença de Parkinson há cerca de um ano. Segundo os pesquisadores, esses pacientes já apresentam efeitos benéficos com a terapia, mas eles ainda procuram uma dosagem ideal.
Fonte:
- Le Figaro
17/02/2010 às 11:02 pm
Gostaria de acompanhar essas experiências e testes com a nova terapia.
obrigada!!!