DNPM

Desenvolvimento Neuro-Psico-Motor Normal:

Enfoque nos Reflexos e Reações

O Desenvolvimento Neuro-Psico-Motor (DNPM) normal da criança trata-se de uma série de mudanças que ocorrem ao longo do tempo de maneira ordenada e relativamente duradoura, afetando as estruturas físicas e neurológicas, os processos de pensamento, as emoções, as formas de interação social e muitos outros comportamentos. O DNPM normal depende da maturação do sistema nervoso (SN), da herança genética e do estímulo mental, sendo este muito importante no desenvolvimento da criança.

Durante o DNPM normal ocorre uma modulação da atividade reflexa presente ao nascimento. Estes reflexos são movimentos pré-funcionais que, com o desenvolvimento e maturação do SN, darão lugar aos movimentos voluntários. Ocorre também o surgimento de reações mais elaboradas, como as reações de proteção e equilíbrio, permitindo a experimentação de movimentos, que inicialmente ocorrem em bloco e aos poucos vão ganhando mais coordenação e controle, através da inervação recíproca normal.

É importante sabermos o desenvolvimento normal, com as variações fisiológicas de cada bebê, para que possamos identificar aquilo que é patológico. Ao longo do desenvolvimento neuropsicomotor normal da criança, os reflexos estão presentes para dar início à movimentação que, à medida em que ocorre, vai ser tornando cada vez mais controlada e voluntária. Alguns destes reflexos e reações normais seguem na lista abaixo:

Reflexo de Busca ou Quatro Pontos Cardeais:

É um reflexo importante para a amamentação da criança. Ao tocar a parte lateral da face do bebê suavemente, ele vira a cabeça para o mesmo lado procurando a mama para sugar.

Reflexo de Sucção:

Segue o reflexo de busca. Quando o bico da mamadeira ou da mama toca a língua do bebê, inicia o reflexo de sucção e quando o líquido atinge a parte posterior da língua, inicia o reflexo de deglutição.

Reflexo de Vômito:

No início, está localizado na ponta da língua e só posterioriza (como nos adultos) em torno do 6o. mês de vida, quando ele começa a ter mais estímulos orais (alimentos, texturas etc).

Reflexo de Mordida:

Ao tentarmos introduzir algo diretamente na boca do bebê, inicialmente ele morde, como forma de proteção. Depois ele solta o objeto.

Reflexo Fotomotor:

Quando incidimos um foco luminoso no rosto do bebê, ele fecha os olhos.

Reflexo Cocleopalpebral:

O estímulo auditivo realizado a aproximadamente 30 cm faz com o que o bebê pisque os olhos.

Reação Cervical de Retificação:

Também chamada de “reação postural cervical”. Com a criança em decúbito dorsal, quando viramos a cabeça do bebê para o lado o corpo acompanha a rotação e a criança vira em bloco para decúbito lateral. Ocorre até aproximadamente o 4º ou 5º mês de vida, quando inicia a reação corporal de retificação.

Reação Corporal de Retificação:

Trata-se dos movimentos dissociados entre cabeça e tronco. Inicia a partir do 5o. mês de vida.

Moro:
É um “susto” por perda do apoio na cabeça. Ele pensa que vai cair e faz o Moro. O examinador apóia o bebê no antebraço com a cabeça sobre a mão, então bruscamente retira o apoio da mão que está segurando a cabeça do bebê (mas sem deixá-lo realmente cair), fazendo com que a cabeça da criança caia na mão aberta do examinador. O lactente abre a boca e os braços movem-se para cima com as mãos abertas (1a. fase). Depois, a boca fecha novamente e os braços fletem-se com as mãos fechadas, como num abraço (2a. fase). Normalmente, a criança chora depois. Este reflexo deve estar diminuído no 3o. mês e ausente no final do 5o. mês.

Reflexo Tônico Cervical Assimétrico (RTCA):

Este reflexo serve para dar extensão e faz com que a criança inicie a coordenação olho-mão e depois mão-boca. O bebê vira a cabeça para o lado que faz a extensão de membros superior e inferior e no lado oposto ele faz flexão. É característica do 2o. mês (assimetria) e no 5o. mês deve ter desaparecido.

Reflexo de Preensão Palmar:

Ao tocar a superfície interna da mão, esta se fecha e enquanto durar o estímulo, a mão permanece fechada. Diminui no 3o. mês com o grasping que inicia no 2o. mês.

Reflexo de Preensão Plantar:

Ao tocar a superfície plantar do pé, logo abaixo do hálux, os demais artelhos assumem a posição de garra. Diminui no 7o. mês e desaparece no 8o. mês.

Reflexo de Galant:

Ao friccionar a pele na região paravertebral, o corpo forma um arco aumentando a lordose lombar. Os membros superior e inferior no mesmo lado do estímulo estendem-se e as extremidades opostas fletem-se. Este reflexo dura até o final do 1o. mês de vida.

Reação de Pára-Quedas:

Também denominada “disposição óptica para o salto”. Devemos segurar o bebê pelo tronco (cintura pélvica) e aproximar seu rosto de uma superfície plana com relativa rapidez. A criança coloca as mãos à frente para proteger-se. É uma reação mais elaborada e persiste pela vida inteira. Ela surge a partir do 6o. mês de vida.

Reação de Landau:

É a capacidade de fazer extensão contra a gravidade. O examinador sustenta a criança pelo abdôme ou axilas com o corpo virado para baixo (decúbito ventral no ar) e ela faz extensão do tronco e extremidades inferiores. Inicia no 4o. mês e está completo no 6o. mês.

 

 

Reflexo de Anfíbio:

Ao fazermos pressão sobre as cristas ilíacas, a criança faz flexão e abdução dos membros inferiores (“posição de bailarina”). Esta presente no 5o. mês.

Reação Positiva de Suporte:

Ao ser colocado em ortostase sustentado pelas axilas, o bebê suporta parcialmente o peso do corpo sobre os pés com assimetria de cinturas. Desaparece no 2o. mês.

Marcha Automática:

A criança é mantida em ortostase sustentado pelas axilas e com o apoio da face plantar de um pé sobre a superfície de contato, o bebê flete esta perna e extende a perna contralateral e assim sucessivamente, dando a impressão de que a criança quer andar. Desaparece também no 2o. mês.

Reação de Colocação:

Também denominada “Placing-Reaction”. Quando o examinador estimula a parte anterior da perna, o bebê flexiona o joelho para apoiar o pé na superfície, como se fosse subir escadas. Ocorre na fase neonatal e desaparece até o final do 1o. mês.

Reflexo Tônico Cervical Simétrico (RTCS):

Ao flexionar a cervical, os cotovelos também flexionam e as pernas extendem-se totalmente; ao contrário, à extensão da cabeça, os cotovelos extendem-se e as pernas flexionam. É um reflexo patológico, mas que possui um único período muito rápido de normalidade: no momento de descobrir a postura do gato, o bebê pode utilizar o RTCS, mas depois não pode persistir.

Reflexo Tônico Labiríntico (RTL):

Este reflexo é sempre patológico. Quando a criança está em decúbito ventral há flexão total sem liberação de vias aéreas (reação automática). No decúbito dorsal, há extensão de tronco e membros inferiores, com rotação interna e adução destes. Os membros superiores ficam flexionados, com as mãos fechadas e a cabeça está em extensão  (opistótono).

Reação Automática:

Quando colocado em decúbito ventral, o bebê prontamente coloca a cabeça de lado para liberar as vias aéreas. Normalmente, é adotado um lado de preferência. Trata-se de uma primeira extensão a partir da flexão total e está presente desde o nascimento.

Fonte: FLEHMIG, I. Texto e Atlas do Desenvolvimento Normal e seus Desvios no Lactente – Diagnóstico e Tratamento Precoce do Nascimento até o 18o. Mês. São Paulo: Editora Atheneu, 2000.

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4 comentários sobre “DNPM

  1. Excelente conteúdo. Apenas uma observação: No RTCS, grafado por extenso, está escrito Assimétrico, ao invés de Simétrico.

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