Síndrome de Pusher

Patrícia Davies descreveu pela primeira vez a sintomatologia da síndrome de Pusher, no livro Passos a Seguir (1996). O nome “Pusher” vem da característica desses pacientes de se empurrar com o lado não comprometido para o lado parético, resistindo a qualquer tentativa de correção passiva da postura.

Os sintomas mais característicos da síndrome são: o abandono contralateral à lesão (ou seja, do lado parético), a assimetria de tronco agravada pelo ato de empurrar e a heminegligência corporal com importante falha proprioceptiva.

Essa síndrome é muito mais comum em pacientes com hemiplegia/paresia à esquerda (lesão de hemisfério cerebral direito, especialmente o lobo parietal, que em 96% das pessoas destras é responsável pela percepção corporal e espacial).

Estudos através de tomografia (PET) demonstram que o lobo parietal direito é capaz de dirigir a atenção tanto para o campo visual esquerdo como o direito, enquanto o lobo parietal esquerdo apenas controla a atenção do hemicorpo direito. Isso explica porque a lesão de lobo parietal direito pode extinguir a atenção visual do hemicorpo esquerdo por completo, enquanto a lesão de hemisfério esquerdo ainda mantém algum grau atencional (dirigido pelo hemisfério direito) no hemicorpo esquerdo.

O hemisfério cerebral direito é responsável por controlar a atenção em ambos hemicorpos, mas o hemisfério esquero apenas controla a atenção do hemicorpo direito. Em lesões de hemisférios direito, o hemicorpo esquerdo fica sem "cobertura".
O hemisfério cerebral direito é responsável por controlar a atenção em ambos hemicorpos, mas o hemisfério esquerdo apenas controla a atenção do hemicorpo direito. Em lesões de hemisférios direito, o hemicorpo esquerdo fica sem "cobertura".

O ato de empurrar ocorre porque o paciente procura o seu centro de equilíbrio mas não possui correta percepção de sua base de suporte, percebendo-se sempre mais à direita de seu centro. Por isso, o paciente se empurra para o lado esquerdo, procurando ajustar-se ao seu centro de gravidade. Muitas vezes, isso leva o paciente à queda.

Há também nesses pacientes uma anosognosia importante. Eles não percebem que estão inclinados e que não sabem que negligenciam o lado esquerdo. Muitos pacientes referem, quando questionados, que aquela mão esquerda mostrada para eles é de outra pessoa.

Uma abordagem comprovadamente benéfica para estes pacientes é o estímulo do braço esquerdo no hemiespaço esquerdo, fazendo com que o paciente perceba este lado do seu corpo e de seu campo visual. O hemisfério cerebral direito é melhor estimulado por tarefas visuoespaciais, enquanto que o esquerdo por tarefas verbais. Ou seja, o estímulo do heminegligente deve ser por tarefas visuoespaciais, pois as tarefas verbais poderiam incrementar os sintomas da negligência, visto que estimulam predominantemente o hemisfério esquerdo. Comandos verbais são na maioria das vezes dispensáveis e podem até confundir o paciente.

É importante diferenciar a síndrome de Pusher da síndrome da Heminegligência. O heminegligente também ignora o lado esquerdo do corpo e do ambiente, mas não possui a característica de se empurrar para o lado parético.

Fontes:

– DAVIES PM. Passos A Seguir: Um Manual para o Tratamento da Hemiplegia no Adulto. Manole: São Paulo, 1999.

– MESQUITA, EM. Heminegligência: Influência dos Processos Pré-Atencionais no Fenómeno da Extinção e Contribuitos para Reabilitação. Psicologia.com.pt 2007.

– RIBEIRO et al. A sintomatologia da síndrome de Pusher e o seu impacto no processo de reabilitação: revisão de literatura. Fisioterapia Brasil, 2002; 3(3): 183-190.

– ALVES PM, GASPAR RRC. Proposta de avaliação para o paciente com síndrome da heminegligência após doença vascular encefálica. Reabilitar, 2002; 4(17): 36-42.

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