Poliomielite e Síndrome Pós-Pólio

A Poliomielite, comumente chamada “Paralisia Infantil”, é uma doença infecciosa aguda ocasionada por vírus entérico do grupo Poliovírus (sorotipos 1, 2 e 3) e que no Brasil atingiu valores endêmicos entre 1910 e 1959.

A transmissão do vírus pode se dar de pessoa a pessoa através de contato fecal-oral, o que é crítico em situações onde as condições sanitárias e de higiene são inadequadas. O enterovírus incuba-se na orofaringe ou sistema gastrintestinal por um período de 7 a 10 dias e, na maioria dos casos, a infecção é assintomática.

Em alguns casos, o vírus se dissemina pela corrente sanguínea e, então, infecta o sistema nervoso, onde a sua multiplicação pode ocasionar a destruição de células. O poliovírus também pode ser disseminado por contaminação fecal de água e alimentos.

A Poliomielite aguda pode se apresentar de quatro formas distintas:

– Infecção assintomática;

– Forma branda ou abortiva (flu-like): paciente apresenta sintomas semelhantes a um quadro gripal;

– Forma meníngea: febre, cefaléia, rigidez de nuca e dores musculares;

– Forma paralítica (1-2%): quadro de paralisia de membros, tronco, face e/ou pescoço. Pode ser dividida em três formas – medular ( 79%), bulbar (2%) e bulbo-espinal (19%).

O quadro clínico da Poliomielite (forma paralítica) caracteriza-se por comprometimento motor, sem afetar a sensibilidade. A paralisia é flácida e assimétrica, e atinge preferencialmente membros inferiores, podendo afetar também tronco e membros superiores.

Fase Aguda: caracteriza-se por cefaléia, rigidez de nuca, irritabilidade, febre alta, alterações gastrintestinais, dores musculares, reflexos tendinosos inicialmente hiperativos evoluindo para arreflexia, sensibilidade preservada, paresia/paralisia de um ou mais membros, problemas respiratórios e de deglutição. Esta fase dura, aproximadamente, 2 semanas.

Fase de Recuperação: inicia-se logo após a normalização da temperatura corporal, podendo durar de semanas a anos.

Fase de Estabilidade: inicia-se após a máxima recuperação neurológica. Sua duração é variável.

SÍNDROME PÓS-PÓLIO

No Brasil, a Poliomielite está erradicada desde 1994. Entretanto, ainda nos deparamos nas clínicas de reabilitação com pacientes adultos que se infectaram durante a infância e hoje apresentam sinais e sintomas de ordem neurológica, músculo-esquelética e psicossocial, que iniciam de modo gradual ou abrupto. Devemos excluir outras patologias ortopédicas, clínicas ou neurológicas que expliquem esse novo quadro de fraqueza  ou fadiga muscular, atrofia ou dor.

A causa da Síndrome Pós-Pólio ainda não está definitivamente esclarecida, mas alguns estudos apontam hipóteses prováveis, sendo mais aceita a teoria de que ocorre uma sobrecarga (overuse) da musculatura global (previamente acometida ou não) ao longo dos anos em que os pacientes realizaram todas as atividades do cotidiano utilizando-se das compensações osteoarticulares e musculares  aprendidas desde a infância. Com isso e somado ao processo natural de envelhecimento, estes pacientes começam a apresentar novos sintomas de fraqueza muscular, fadiga e dor, que devem ser adequadamente tratados, através de exercícios de consciência corporal, técnicas para conservação de energia e adaptações para as atividades (quando necessário) para melhorar sua qualidade de vida.

Fonte:

– Borges et al. Fisioterapia: Aspectos Clínicos e Práticos da Reabilitação. São Paulo:Artes Médicas, 2007

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Um comentário sobre “Poliomielite e Síndrome Pós-Pólio

  1. Dra.Tathiana, gostaria de contribuir com duas informações: a primeira é que já existe CID 10 G14 específico para síndrome, aprovado no final de 2009 e já em vigor apartir de 2010, caso tenha interesse tenho o documento original. Segundo que em São Paulo a UNIFESP, esta promovendo um curso gratuito em parceria com o Ministério da Saúde em capacitação aos Profissionais de Saúde a respeito da Síndrome. Também poderei disponibilizar, de qualquer forma o endereço para inscrições é:http://proex.epm.br/eventos09/poliomielite/inscrição.htm
    Obrigada por divulgar e falar sobre a Síndrome.
    Eliana Aquino

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