A Coluna Vertebral: Nós realmente carregamos o mundo nas costas!

Nos dias 12 e 13 de Maio estive em Salvador (BA) para apresentar o trabalho “Prevalência de Ansiedade, Depressão e Cinesiofobia em pacientes com Doença Degenerativa da Coluna Lombar“, no III Congresso Internacional de Fisioterapia em Coluna Vertebral (CONIFIC 2017).

Fiquei muito feliz de ver que este é um tema que está sendo amplamente discutido por profissionais, tanto da área da reabilitação musculoesquelética quanto das neurociências, porque de fato precisamos tratar os nossos pacientes como indivíduos que, sim, apresentam lesões que geram sintomas dolorosos, mas cientes de que estes sintomas podem ser agravados por inúmeras crenças sobre a dor e experiências prévias, além de outros distúrbios somatoformes que frequentemente estão presentes em pacientes com dor crônica.

Ao longo do nosso envelhecimento a dor lombar aparece, afetando cerca de 65 a 85% dos adultos em algum momento de suas vidas! Precisamos levar em conta que, de acordo com pesquisas mais recentes, a dor lombar é a condição de saúde que gera maior prejuízo econômico nos países ocidentais.

Frequentemente estes pacientes demoram meses e até anos investigando as possíveis causas orgânicas da dor lombar (hérnias de discos, lesões degenerativas etc), quando muitas vezes um trabalho focado em reabilitação biopsicossocial traria benefícios mais duradouros, principalmente para aqueles pacientes que não apresentam uma lesão tecidual bem delimitada.

Essa pesquisa que citei no início do texto foi realizada com pacientes que já apresentavam um tempo médio desde o início dos sintomas de aproximadamente 3 anos, ou seja, pacientes com alto grau de cronicidade que já haviam passado por vários tipos de tratamento conservador e agora buscavam o tratamento cirúrgico como solução para a dor que sentiam.

Algumas pesquisas com pacientes com dor lombar crônica que passaram por procedimentos cirúrgicos mostram que aqueles que já possuem pontuações mais altas em escalas de avaliação psicossomática no pré-operatório apresentam um pior prognóstico com mais queixas dolorosas e uma menor satisfação com o tratamento no pós-operatório.

Este é um assunto que precisa ser amplamente discutido por todos os profissionais que tratam pacientes com dor lombar, pois o melhor tratamento muitas vezes pode não ser aquele manuseio fisioterapêutico da moda ou aquela técnica cirúrgica recém descoberta. Muitas vezes o paciente se beneficiará de uma boa escuta do profissional e do encaminhamento adequado para cada tipo de tratamento.

 

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