“A aposentadoria não pode ser no sofá”

 

Essa foi a última frase de uma matéria que acabei de ler sobre o Congresso do Cérebro, Comportamento e Emoções, que ocorrerá em Porto Alegre no mês de Junho, e o curioso é que essa é uma máxima que usamos entre os colegas da Reabilitação Neurológica.

Costumamos perguntar na nossa anamnese qual era a ocupação do paciente antes do evento neurológico e frequentemente ouvimos a seguinte frase: “eu trabalhava de (pedreiro / operário / executivo / professor…) e me aposentei há 2 anos, aí me aconteceu isso”. Independente de classe social e nível de escolaridade, é comum encontrarmos pessoas que sofreram algum acometimento neurológico após a parada total de suas atividades e rotinas, o que comumente é feito de modo abrupto e sem planejamento.

Falando sobre o Congresso que abordará também o envelhecimento saudável, o dr. Ricardo Nitrini, professor titular da USP, explica: “a falta de estrutura na saúde inclui a questão mental. Na minha área, que é a cognição, o que se vê é uma prevalência de problemas de comprometimento cognitivo e aumento dos casos de demência. Em países como Suécia, Holanda e até Portugal, o número de casos vem diminuindo, porque as pessoas se cuidam melhor. Os mais velhos passaram a se exercitar e a se preocupar com a gordura abdominal; a ter uma alimentação equilibrada; e a procurar algum tipo de atividade. No Brasil, temos um ambiente bastante desfavorável, de sedentarismo, baixa escolaridade e falta de convívio social, todos fatores que podem comprometer a saúde mental”.

Nossa população está envelhecendo. De acordo com o IBGE, a expectativa de vida ao nascer é de aproximadamente 76 anos. O envelhecimento saudável inclui questões físicas, psíquicas e sociais que precisam ser abordadas também com políticas públicas de saúde. É imprescindível que a aposentadoria seja planejada. O que será feito a partir daí? Em quais atividades sociais o indivíduo irá se engajar? A atividade física também deve ser incluída, mas de maneira prazerosa e não apenas como uma obrigação.

 

Fontes:

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