Sudoku contra Demência?

Depois de muito tempo distante deste blog, estou de volta para falar de uma matéria que li hoje sobre os exercícios mentais que muitos idosos fazem usando quebra-cabeças, palavras cruzadas, sudoku e afins. Fiquei surpresa ao ler nesta matéria do site canadense Cyberpresse que esta forma de estimulação cerebral pode até retardar o início da demência, mas uma vez instalada, este hábito pode na verdade acelerar a progressāo da doença. Este estudo foi publicado na revista Neurology e traz como sugestão para aprimorar as funções cognitivas a prática da leitura ao invés de quebrar a cabeça solucionando o Sudoku, por exemplo.

Dicionário de Neurologia

Lembro-me do meu primeiro professor de Neuroanatomia, um médico de seus quase 70 anos de idade, bem old-school, que adorava confundir os alunos com os nomes esquisitos da anatomia encefálica: eram áreas cerebrais, células especializadas etc. Era um excelente professor (nem sei se ainda continua a lecionar), mas era muito estressante para os alunos ficar correndo atrás do prejuízo, achando que jamais aprenderiam tantos nomes incomuns.

Com o passar do tempo e com a experiência prática na área, alguns nomes foram ficando mais fáceis de lembrar; outros até hoje me fazem correr para o livro para relembrar seu significado.

Pensando nisso, resolvi juntar num pequeno “dicionário” alguns dos termos mais usados em Neurologia. É um bom exercício de memorização e quem sabe isso ajuda outras pessoas. Aceito sugestões de novos termos para incluir no Dicionário de Neurologia.

A

Afasia

Déficits de linguagem falada e escrita. Pode ser denominada Afasia de Broca, ou motora, quando a lesão é localizada na área de mesmo nome localizada no lobo frontal. Está relacionada com a expressão da linguagem. Há também a Afasia de Wernicke, ou sensitiva, no caso em que a lesão ocorre na região de mesmo nome, localizada na junção entre os lobos temporal e parietal, estando relacionada à percepção da linguagem.

Agnosia

Perda da capacidade de reconhecer objetos, por lesão nas áreas de associação secundárias sensitivas.

Amusia

Dificuldade de compreensão de sons musicais, por lesão da área auditiva secundária no hemisfério direito.

Apraxia

Incapacidade de executar determinados atos voluntários, sem que exista qualquer déficit motor, como consequência de lesões nas áreas de associação secundárias motoras.

Arreflexia

Ausência de reflexos tendinosos.

Ashworth, Escala de

Escala mais amplamente utilizada na avaliação e mensuração da espasticidade. Varia de 0 a 4.

Ataxia

É uma incoordenação do movimento. Pode ser causada por lesão cerebelar (ataxia cerebelar), alteração sensorial como em casos de neuropatias diabéticas (ataxia sensitiva) e distúrbios vestibulares (ataxia vestibular ou labiríntica).

Atetose

Lesão do corpo estriado (núcleo caudado, putâmen e globo pálido) que manifesta-se por movimentos involuntários lentos sinuosos, especialmente dos antebraços e mãos.

Atonia

Ausência completa de tônus muscular.

B

Babinski, Sinal de

Em casos de lesão dos tratos córtico-espinais, ocorre a flexão dorsal do hálux ao estímulo da pele da região plantar do pé (quando a resposta normal seria a flexão plantar do hálux).

Balance

Nome que se dá ao conjunto de reações de retificação, reação de proteção e reação de equilíbrio.

Broca, área de

É a região responsável pela programação da atividade motora relacionada com a expressão da linguagem.

Brodmann, Áreas de

Divisão do córtex cerebral que é feita em 47 áreas considerando as diferentes funções desempenhadas pelas respectivas regiões.

C

Cinestesia

Capacidade de perceber a posição e o movimento de uma parte do corpo (propriocepção consciente).

Cognição

Capacidade do ser humano de processar informações e reagir às alterações do ambiente e de si mesmo.

Controle Motor

É a capacidade de regular ou orientar os mecanismos essenciais para o movimento.

Coréia

Caracteriza-se por movimentos involuntários rápidos e de grande amplitude, devido à lesão no corpo estriado.

D

Dermátomo

Trata-se do território cutâneo inervado por fibras de uma única raiz dorsal. O dermátomo recebe o nome da raiz que o inerva.

Desuso Aprendido

Teoria que hipotetiza que a recuperação de pacientes com AVC é limitada pelo uso exacerbado do membro não-acometido, devido à dificuldade de usar o membro parético, levando-o ao “desuso aprendido”.

Diplopia

É a visão dupla, em que os indivíduos vêem duas imagens no objeto.

Disdiadococinesia

É a dificuldade de fazer movimentos rápidos e alternados, devido à lesão no neocerebelo.

Dismetria

Também ocorre devido à lesão no neocerebelo. Consiste na execução defeituosa de movimentos que visam atingir um alvo, pois o indivíduo não consegue dosar exatamente o movimento.

Distonia

Movimentos involuntários dos músculos (espasmos), rápidos e repentinos, que provocam movimentos ou posições anormais de uma parte ou da totalidade do corpo.

E

Espasticidade

É o aumento exagerado do tônus muscular, velocidade-dependente, que vem acompanhado de hiperreflexia.

Estereognosia

É a capacidade de perceber com as mãos a forma e o tamanho de um objeto.

F

Feedback

São as informações que ocorrem durante e após a execução do movimento, como consequência natural do comportamento.

Feedforward

É o controle por antecipação, ideal para movimentos rápidos que dependem da capacidade de previsão do resultado.

Formação Reticular

Rede de fibras e corpos de neurônios localizados no tronco encefálico que são responsáveis pelo centro respiratório, centro vasomotor e centro do vômito.

Fusos Neuromusculares

São pequenas estruturas em forma de fuso situadas nos ventres dos músculos estriados esqueléticos, dispondo-se paralelamente com as fibras destes músculos (fibras extrafusais). Cada fuso é constituído de uma cápsula conjuntiva que envolve de duas a 10 pequenas fibras estriadas denominadas fibras intrafusais. O fuso neuromuscular recebe fibras nervosas sensitivas que se enrolam em torno da região equatorial (não contrátil) das fibras intrafusais. O estiramento e o alongamento das fibras intrafusais causam deformações mecânicas das terminações sensitivas que são ativadas. Originam-se assim impulsos nervosos que fazem sinapses com motoneurônios alfa (na coluna anterior da medula). Os axônios desses neurônios trazem os impulsos de volta ao músculo, terminando em placas motoras situadas nas fibras extrafusais que se contraem (reflexo miotático). Os fusos neuromusculares também possuem inervação dos motoneurônios gama, que inervam as duas regiões polares das fibras intrafusais e causam sua contração.

G

Gnosia

É a etapa de interpretação na identificação de um objeto, feita pelas áreas de associação secundárias.

H

Hemianopsia

Cegueira em metade do campo visual. Pode ser heterônima ou homônima. Na primeira, são acometidos lados diferentes dos campos visuais. Na segunda, fica acometido o mesmo lado do campo visual de cada olho.

Hemibalismo

São movimentos anormais violentos das extremidades, que não desaparecem nem durante o sono e ocorrem devido a lesões no núcleo subtalâmico.

Hemiplegia / Hemiparesia

Fraqueza muscular total ou parcial (respectivamente) em um hemicorpo, devido a lesão encefálica.

Hidrocefalia

Alteração na produção, circulação e absorção do líquido cefalorraquidiano, caracterizando um aumento na quantidade e na pressão do líquor que causa uma dilatação dos ventrículos e compressão dos tecidos nervosos de encontro ao arcabouço ósseo.

Hipercinesias

Aumento exagerado da atividade motora mediada pelo córtex.

Hiperestesia / Hipoestesia

Aumento ou diminuição da sensibilidade, respectivamente.

Hiperreflexia / Hiporreflexia

Aumento ou diminuição dos reflexos miotendinosos, respectivamente.

Hipertonia / Hipotonia

Aumento ou diminuição do tônus muscular, respectivamente.

Homúnculo Motor / Sensitivo

Representação cortical da somatotopia motora ou sensitiva.

I

Imagética

Técnica de repetição mental do movimento, embasada em pesquisas que demonstram que áreas responsáveis pelo movimento propriamente dito também são ativadas durante a prática mental. De acordo com os estudos, o ideal é incorporar a imagética ao treinamento motor, tendo melhores resultados com a prática associada.

L

Líquor

Também chamado líquido cérebro-espinal (ou cefalorraquidiano) é um fluido aquoso e incolor que ocupa o espaço subaracnóideo e as cavidades ventriculares. Sua função primordial é de proteção mecânica do sistema nervoso central.

Locus Ceruleus

Faz parte da Formação Reticular e é um núcleo com projeções noradrenérgicas que, acredita-se, fazem parte dos mecanismos que desencadeiam o sono paradoxal.

M

Miopatias

Afecções que acometem as unidades motoras.

N

Neuromas

Cicatriz de coto de axônio formada por tecido conjuntivo, células de Schwann e um emaranhado de cotos de fibras nervosas. O problema está na formação de neuromas dolorosos, como em casos de amputações, quando o coto do nervo não fica devidamente protegido por coxim gorduroso do coto do membro amputado, emergindo na superfície e sofrendo com contato externo por pressão.

Nistagmo

Movimentos oscilatórios rítmicos dos olhos que ocorrem especialmente devido a lesões no sistema vestibular e no cerebelo.

O

Oligocinesia

Manifesta-se por uma lentidão e redução da atividade motora espontânea, na ausência de paralisia. Há também uma grande dificuldade para se dar início aos movimentos. A oligocinesia é comum na Doença de Parkinson.

P

Paraplegia / Paraparesia

Ausência total ou parcial de força muscular na metade inferior do corpo (tronco inferior e membros inferiores). Ocorrem comumente por traumas medulares a partir da vértebra T1.

Parestesia

Aparecimento, sem estimulação, de sensações espontâneas e mal definidas como por exemplo “formigamentos”.

Propriocepção

É a capacidade de perceber a posição de partes do corpo ou sua totalidade em relação ao espaço, além da percepção do movimento do corpo.

R

Ritmo Circadiano

É a oscilação em um período de 24 horas dos parâmetros fisiológicos, metabólicos e comportamentais. São gerados por “relógios biológicos”  situados no núcleo supraquiasmático do hipotálamo.

S

Síndrome do Neurônio Motor Superior

Lesões em neurônios motores superiores ocorrem com mais frequência em AVCs que acometem a cápsula interna ou a área motora do córtex e caracterizam-se por um rápido período de paralisia flácida mas com súbita instalação de uma paralisia espástica com hipertonia e hiperreflexia, com presença do sinal de Babinski (sinais positivos).

Síndrome do Neurônio Motor Inferior

Lesões em neurônios motores inferiores, comuns na poliomielite e lesões de neurônios na coluna anterior da medula espinal, causam paralisia com perda dos reflexos e do tônus muscular (paralisia flácida – sinais negativos), seguindo-se após um tempo hipotrofia dos músculos inervados pelas fibras motoras destruídas.

Siringomielia

Trata-se de uma doença na qual há formação de uma cavidade no canal central da medula espinal, levando a uma destruição da substância cinzenta intermédia central e da comissura branca. Esta destruição interrompe as fibras que formam os dois tratos espino-talâmicos laterais, consequentemente ocorrendo perda da sensibilidade térmica e dolorosa de ambos os lados, em uma área correspondente aos dermátomos relacionados com as fibras lesadas. Acomete com mais frequência a intumescência cervical, resultando no aparecimento dos sintomas nas extremidades superiores dos dois lados.

Sistema Piramidal

Compreende dois tratos, que passam pelas pirâmides bulbares: o córtico-espinal, que une o córtex cerebral aos neurônios motores da medula, e seu correspondente no tronco encefálico, o trato córtico-nuclear, que difere do primeiro principalmente pelo fato de transmitir impulsos aos neurônios motores do tronco encefálico.

Sistema Extrapiramidal

Por meio desse sistema algumas estruturas nervosas supraespinais exercem influência sobre os neurônios motores da medula, através dos seguintes tratos que não passam pelas pirâmides bulbares: rubro-espinal, tecto-espinal, vestíbulo-espinal e retículo-espinal.

Somatotopia

Mapeamento do córtex que demonstra que existe correspondência entre determinadas áreas corticais e certas partes do corpo.

T

Tabes Dorsalis

Ocorre em consequência da neurosífilis. É uma lesão das raízes dorsais da medula espinal, causando perda da propriocepção consciente, perda do tato epicrítico e perda da sensibilidade vibratória e da estereognosia.

Tato Epicrítico

Também chamado tato discriminativo. Permite localizar e descrever as características táteis de um objeto. Testa-se tocando a pele simultaneamente com as duas pontas de um compasso e verificando-se a maior distância entre dois pontos tocados que é percebido como se fosse um só (discriminação de dois pontos). Segue a via ascendente do funículo posterior da medula.

Tato Protopático

Permite apenas de maneira grosseira a localização da fonte do estímulo tátil. Percebe estímulos de pressão e tato leve. Segue a via ascendente do funículo anterior da medula.

Trato Córtico-Espinal

Constituído por fibras originadas no córtex cerebral que passam no bulbo em trânsito para a medula, ocupando as pirâmides bulbares. Sua principal função é motora somática; suas fibras terminam em relação com neurônios motores que controlam tanto a musculatura axial como apendicular e ele é o principal feixe de fibras responsável pela motricidade voluntária.

Trato Córtico-Nuclear

Constituído por fibras originadas no córtex cerebral e que terminam em núcleos motores do tronco encefálico. Assim, põe sob controle voluntários os neurônios motores situados nos núcleos dos nervos cranianos.

Trato Hipotálamo-Hipofisário

É formado por fibras que se originam nos neurônios grandes dos núcleos supra-óptico e paraventricular e terminam na neuro-hipófise. As fibras desse trato que constituem os principais componentes estruturais da neuro-hipófise são ricas em neurossecreção.

Trato Retículo-Espinal

É o mais importante dos tratos extrapiramidais, promovendo a ligação de várias áreas da formação reticular com os neurônios motores. As funções são variadas e envolvem o controle de movimentos tanto voluntários como automáticos, a cargo dos músculos axiais e proximais dos membros.

Trato Rubro-Espinal

Controla a motricidade voluntária dos músculos distais dos membros.

Trato Tecto-Espinal

Origina-se no colículo superior, que, por sua vez, recebe fibras da retina e do córtex visual. Termina nos segmentos mais altos da medula cervical e está envolvido em reflexos nos quais a movimentação da cabeça decorre de estímulos visuais.

Trato Vestíbulo-Espinal

Origina-se nos núcleos vestibulares e leva aos neurônios motores os impulsos nervosos necessários à manutenção do equilíbrio a partir de informações que chegam a esses núcleos, vindas da parte vestibular do ouvido interno e do arquicerebelo. São feitos assim ajustes no grau de contração dos músculos, permitindo que seja mantido o equilíbrio mesmo após alterações súbitas do corpo no espaço.

U

Unidade Motora

É o conjunto constituído por um neurônio motor com seu axônio e todas as fibras musculares por ele inervadas. O termo aplica-se apenas aos neurônios motores somáticos, ou seja, à inervação dos músculos estriados esqueléticos.

W

Wallenberg, Síndrome de

Também conhecida como Isquemia Láterobulbar, é resultante da oclusão da artéria vertebral em seu trajeto intracraniano, gerando sinais e sintomas como: ataxias dos membros e da marcha, vertigens, nistagmo, náuseas e vômitos,  hipoestesia ipsilateral da face, disfonia, disfagia, paralisia da faringe, diminuição da sensibilidade térmica e dolorosa da metade contralateral do tronco, entre outros.

Wernicke, Área de

É a área posterior da linguagem. Situa-se na junção entre os lobos temporal e parietal. Está relacionada com a percepção da linguagem.

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Fontes:

– Shumway-Cook A, Woollacott MH. Controle Motor – Teoria e Aplicações Práticas. São Paulo: Manole, 2ª ed, 2003.

– Carr J, Shepherd R. Ciência do Movimento – Fundamentos para a Fisioterapia na Reabilitação. São Paulo: Manole, 2ª ed, 2003.

– Machado A. Neuroanatomia Funcional. São Paulo: Atheneu, 2ª ed, 2006.

Áreas Cerebrais e Funções Correlatas

Sempre que vejo uma pessoa andando na rua com algum sinal que parece sequela de lesão neurológica, fico tentando adivinhar qual seria a causa. Acredito que essa seja uma mania do Fisioterapeuta: tentar enxergar além do que os olhos vêem, colocando sempre o “olho clínico” para funcionar.

A minha área de atuação é a Fisioterapia Neurológica, apesar de estar em constante contato com artroses, entorses, desvios posturais etc. Dessa forma, sempre que vejo algum indivíduo com algum sinal patognomônico óbvio (e alguns nem tão óbvios assim), tento ficar adivinhando do que se trata (sem ser indiscreta, é claro!).

A Neurologia cresce exponencialmente mas ainda é uma área desafiadora, pois a cada dia descobrimos que o cérebro não pode ser rigidamente mapeado. Existem variações anatômicas e funcionais de indivíduo a indivíduo. Existem também as recuperações funcionais após uma lesão encefálica, que fazem com que nós percebamos que o cérebro é de fato uma máquina excepcional.

Alguma teorias já foram comprovadas em populações gerais, esquecendo-se os desvios padrões. Muitas áreas cerebrais já podem ser relacionadas a determinadas funções em indivíduos saudáveis. Assim, segue abaixo um resumo prático da estrutura e função do córtex cerebral.

O cérebro humano pode ser dividido em áreas de projeção e áreas de associação. As áreas de projeção são as chamadas áreas primárias e relacionam-se diretamente com a sensibilidade ou com a motricidade. As áreas de associação são aquelas que não se relacionam diretamente com a motricidade ou a sensibilidade – são as áreas secundárias.

As áreas de projeção podem ser divididas em áreas sensitivas primárias e área motora primária.

Áreas Sensitivas Primárias:

– A Área Somestésica ou área da sensibilidade somática geral está localizada no giro pós-central. É onde chegam as radiações talâmicas que trazem impulsos nervosos relacionados à temperatura, dor, pressão, tato e propriocepção consciente da metade contralateral do corpo. Existe correspondência entre as partes do corpo e as partes da área somestésica (somatotopia). Para representar essa somatotopia, existe o homúnculo sensitivo e nele chama a atenção a área de representação da mão, especialmente dos dedos, o qual é desproporcionalmente grande.

Isso confirma que a extensão da representação cortical de uma parte do corpo depende da importância funcional desta parte e não de seu tamanho. Lesões da área somestésica podem ocorrer, por exemplo, como consequência de AVCs que comprometem as artérias cerebral média ou cerebral anterior. Há então perda da sensibilidade discriminativa do lado oposto à lesão. Perde-se a capacidade de discriminar dois pontos, perceber movimentos de partes do corpo ou reconhecer diferentes intensidades de estímulos (perde a estereognosia).

– A Área Visual localiza-se nos lábios do sulco calcarino no lobo occipital, sendo responsável pelo recepção visual do campo visual oposto. Sua ablação bilateral causa cegueira completa.

– A Área Auditiva está situada no giro temporal transverso anterior. Nela chegam fibras da radiação auditiva, que se originam no corpo geniculado medial. Lesões bilaterais causam surdez completa. Lesões unilaterais causam déficits pequenos, pois as vias não são totalmente cruzadas.

– A Área Vestibular localiza-se no lobo parietal em uma região próxima ao território da área somestésica correspondente à face. Portanto, está mais relacionada com a área de projeção da sensibilidade proprioceptiva do que com a auditiva, informando sobre a posição e o movimento da cabeça.

– A Área Olfatória está situada na parte anterior do úncus e do giro para-hipocampal. Sua lesão pode causar alucinações olfatórias.

– A Área Gustativa localiza-se na porção inferior do giro pós-central (lobo parietal), próxima à ínsula, em uma região adjacente à parte da área somestésica correspondente à língua. Lesões provocam diminuição da gustação na metade oposta da língua.

Área Motora Primária:

Ocupa a parte posterior do giro pré-central. Igualmente ao homúnculo sensitivo, a mão é representada desproporcionalmente, demonstrando que a extensão da representação cortical é proporcional à delicadeza dos movimentos realizados pelos grupos musculares envolvidos. As principais conexões aferentes da área motora são com o tálamo – através do qual recebe informações do cerebelo, com a área somestésica e com as áreas pré-motora e motora suplementar. Por sua vez, a área motora primária dá origem à maior parte das fibras dos tratos córtico-espinal e córtico-nuclear, principais responsáveis pela motricidade.

As áreas de associação, por sua vez, podem ser divididas em áreas de associação secundárias e áreas de associação terciárias.

Áreas de Associação Secundárias:

Áreas de Associação Secundárias Sensitivas. São três: área somestésica secundária (situada no lobo parietal, logo atrás da área somestésica primária); área visual secundária (localizada no lobo occipital e se estendendo ao lobo temporal); e a área auditiva secundária (situada no lobo temporal). As áreas secundárias recebem aferências principalmente das áreas primárias correspondentes e repassam as informações recebidas às outras áreas do córtex.

Para que se possa entender melhor o significado funcional das áreas secundárias, cabe descrever os processos mentais envolvidos na identificação de um objeto. Na etapa de sensação, toma-se consciência das características sensoriais do objeto. Na etapa de interpretação (gnosia), tais características sensoriais são comparadas com o conceito do objeto existente na memória do indivíduo, o que permite sua identificação. A etapa de sensação faz-se na área primária; já a etapa de interpretação envolve processos psíquicos mais complexos que dependem da integridade das áreas de associação secundárias. Em casos de lesões das áreas de associação secundárias, ocorrem os casos clínicos denominados agnosias, nos quais há perda da capacidade de reconhecer objetos, apesar das vias sensitivas e das áreas de projeção cortical estarem normais. Distinguem-se agnosias visuais, auditivas e somestésicas, estas últimas geralmente táteis.

Áreas de Associação Secundárias Motoras. São adjacentes à área motora primária, relacionando-se com ela. Lesões dessas áreas frequentemente causam apraxias, onde há incapacidade de executar determinados atos voluntários, sem que exista qualquer déficit motor (áreas relacionadas com o planejamento do ato voluntário).

A área motora suplementar situa-se na face medial do giro frontal superior. Suas principais conexões são com o corpo estriado via tálamo e com a área motora primária. Relaciona-se com a concepção ou planejamento de sequências complexas de movimentos e é ativada juntamente com a área motora primária quando esses movimentos são executados, mas é ativada sozinha quando a pessoa é solicitada a repetir mentalmente a sequência dos movimentos.

A área pré-motora localiza-se no lobo frontal na face lateral do hemisfério. Nas lesões dessa região, os músculos têm sua força diminuída (musculatura axial e proximal dos membros). Projeta-se também para a área motora primária e recebe aferências do cerebelo (via tálamo) e de várias áreas de associação do córtex. Através da via córtico-retículo-espinal, que nela se origina, a área pré-motora coloca o corpo em uma postura básica preparatória para a realização de movimentos mais delicados, a cargo da musculatura mais distal dos membros.

A área de Broca está situada no giro frontal inferior e é responsável pela programação da atividade motora relacionada com a expressão da linguagem. Lesões da área de Broca resultam em déficits de linguagem (afasias). A área de Broca está situada em frente à parte da área motora que controla os músculos relacionados com a vocalização.

Áreas de Associação Terciárias:

Recebem e integram as informações sensoriais já elaboradas por todas as áreas secundárias e são responsáveis também pela elaboração das diversas estratégias comportamentais.

– A Área Pré-Frontal compreende a parte anterior não-motora do lobo frontal. Ela recebe fibras de todas as demais áreas de associação do córtex, ligando-se ainda ao sistema límbico. Esta região está envolvida pelo menos nas seguintes funções: escolha das opções e estratégias comportamentais mais adequadas à situação física e social do indivíduo, assim como a capacidade de alterá-los quando tais situações se modificam; manutenção da atenção; e controle do comportamento emocional.

– A Área Temporo-Parietal compreende todo o lobo parietal inferior, situando-se entre as áreas secundárias auditivas, visual e somestésica, funcionando como centro que integra informações recebidas dessas três áreas. É importante para a percepção espacial e esquema corporal. Lesões nessa área originam a Síndrome da Heminegligência (e a Síndrome de Pusher), muito mais comum em lesões de hemisfério direito (mais relacionado com processos visuo-espaciais).

– As Áreas Límbicas compreendem o giro do cíngulo, o giro para-hipocampal e o hipocampo. Essas áreas estão relacionadas principalmente com a memória e o comportamento emocional.

Abaixo segue uma tabela que resume as áreas cerebrais, distinguindo suas relações anatômicas e funcionais.

Fontes:

– MACHADO A. Neuroanatomia Funcional. Editora Atheneu, 2a ed. 2006

– GILLEN G, BURKHARDT A. Stroke Rehabilitation – A Function-Based Approach. Editora Mosby, 1998.

Avanços no Tratamento da Doença de Parkinson

Um novo estudo traz esperanças para os pacientes portadores da Doença de Parkinson. Trata-se de uma terapia gênica tripla, testada em primatas, que fez com que os animais recuperassem 80% da sua motricidade. Além disso, o benefício manteve-se por vários meses sem que surgissem efeitos colaterais secundários. O estudo já está sendo aplicado em seis pacientes humanos.

A Doença de Parkinson é uma patologia crônica degenerativa do sistema nervoso central, afetando especificamente as células da substância negra que produzem dopamina, ocorrendo mais frequentemente após os 50 anos de idade. Essa diminuição na produção de dopamina faz com que o paciente apresente alterações motoras particularmente incapacitantes, como a rigidez muscular, o tremor de repouso, a lentidão de movimentos (hipocinesia) e a instabilidade postural.

O tratamento atual mais usado consiste em reposição de L-Dopa, um precursor da dopamina que estimula a produção deste neurotransmissor. Entretanto, com o uso a longo prazo, a L-Dopa apresenta o inconveniente de induzir movimentos bruscos anormais (discinesias). Alguns pacientes também já fizeram tratamento com estimulação elétrica cerebral profunda, que nada mais é do que a implantação de eletrodos em áreas específicas do cérebro. Esse tratamento é efetivo para controlar os sintomas da doença de Parkinson, diminuíndo a necessidade do uso da L-Dopa em larga escala, mas tem como desvantagem o fato de ser um procedimento cirúrgico extremamente invasivo.

Foi pensando em uma forma de controlar a liberação de dopamina no cérebro, já que é a estimulação irregular que faz com que a L-Dopa cause movimentos anormais, que os pesquisadores criaram a terapia gênica. O princípio desta terapia não está na substituição de um gene defeituoso, tendo em vista que a doença de Parkinson só é hereditária em 15% dos casos, mas sim incluir três genes necessários para a síntese de dopamina. O desafio era introduzir esses novos genes no organismo. Para isso, foi utilizado um vírus inofensivo da mesma família do HIV.

O estudo inicialmente foi feito em 18 macacos com a doença induzida quimicamente. Eles foram separados em três grupos: seis animais receberam injeções bilaterais com os genes no nível do corpo estriado (região cerebral intimamente relacionada com a substância negra, que participa da via dopaminérgica); o segundo grupo recebeu o vetor viral, mas sem os genes terapêuticos; e o último grupo serviu de controle, sem receber nenhuma terapia.

Após quatro a seis semanas, os animais que receberam o tratamento experimental tiveram uma melhora de 80% em sua motricidade. Este resultado manteve-se estável pelos 12 meses de duração do estudo. Além disso, ao contrário do tratamento com L-Dopa, a terapia gênica não produziu movimentos anormais e nem outros efeitos colaterais. O resultado positivo do estudo deve-se ao aumento nos níveis de dopamina na zona injetada com os genes terapêuticos.

O próximo passo é saber se esses resultados favoráveis serão reproduzidos em humanos. Alguns ensaios clínicos começaram a ser feitos em seis pacientes com a doença de Parkinson há cerca de um ano. Segundo os pesquisadores, esses pacientes já apresentam efeitos benéficos com a terapia, mas eles ainda procuram uma dosagem ideal.

Fonte:
Le Figaro

O cérebro também precisa de treinamento

Para assimilar novos dados, não é tanto o conteúdo que interessa e sim o processo de aprendizagem. Como nos esportes, em que deve-se treinar e desenvolver os músculos para melhorar a performance, devemos fazer a mesma coisa com o cérebro e os processos cerebrais.

De acordo com estas descobertas, a equipe do Brain Center International do Québec (Canadá) acaba de lançar um novo software de treinamento para jovens de 10 a 15 anos, onde eles aprendem em um ambiente lúdico.

Os pesquisadores afirmam que o software não é um jogo, mesmo utilizando os métodos de um vídeo game em um ambiente semelhante. “Existe todo um trabalho e uma análise científica por trás dos exercícios”, explicam o Dr. Stéphane Bergeron, presidente da empresa, e Jean-Philippe Marquis, neuropsicólogo e diretor científico. “O software Apprendre é um treinamento do processo de aprendizagem que serve para colocar o cérebro em pré-funcionamento para o trabalho”.

Diferentes processos são solicitados para aprender matemática e ciências, ou literatura e artes. Os exercícios são realizados de acordo com isso. “Nós sabemos que o treinamento do processo tem relação direta com as performances acadêmicas”, explica o neuropsicólogo Marquis. “O objetivo dos exercícios é reforçar estes processos”.

O software é destinado para os jovens porque eles estão no período de maior aprendizagem. Os pesquisadores notaram que também é necessário colocar o cérebro em exercício em idades cada vez mais jovens. “Quanto mais cedo começarmos, melhores os resultados, embora possa ser feito em qualquer idade”, acrescentou o Dr. Bergeron. “Por que iniciar o treinamento aos 50 anos apenas se podemos começar mais cedo mantendo os benefícios a longo prazo?”

Por exemplo, na atividade de leitura rápida a inteligência artificial do software ajusta a velocidade de acordo com a capacidade do jogador em tempo real, e esta função é baseada em um algoritmo desenvolvido pelo Brain Center. “É nossa maneira de manter o jogador dentro da zona de treinamento”, explica o Dr. Marquis. “Se for muito lento, a pessoa ficará entediada e deixará o exercício. Se for muito rápido, o jogador se frustrará. Além disso, uma pessoa não tem a mesma capacidade de concentração nem os mesmos reflexos sempre, tendo diferenças inclusive ao longo do mesmo dia. A adaptação em tempo real permite conservar bons parâmetros de treinamento”.

O software Apprendre comporta três grandes seções de atividades: uma livraria com textos de romances e a zona de dicas sobre o cérebro e seu funcionamento; a seção de idiomas e culturas comporta quatro exercícios que estimulam a memória e a visualização dos objetos; a seção de ciências, com oito atividades, permite melhorar as habilidades em matemática e ciências. Há também uma seção de leitura rápida que solicita a leitura de um longo tutorial antes de começar os quatro exercícios. O Dr. Marquis explica que a leitura do tutorial é necessária para explicar adequadamente o método, que não é apenas ler rapidamente um texto, mas ler de um modo mais eficaz.

Este novo jogo chamou a atenção do Instituto Nacional de Saúde, nos EUA, que é uma empresa de possui vários estudos sobre softwares para validar este tipo de treinamento em pessoas com declínio cognitivo mais rápido que a média da população, mas menos graves que os pacientes com doenças cerebrais. Hoje nos EUA existem três escolas que escolheram usar o Apprendre para integrar a formação dos seus alunos.

Texto extraído do jornal CyberPresse.

Imagética

Estava lendo um artigo interessante sobre “ imagética” dos movimentos e lembrando dos meus tempos de faculdade, quando um professor começou a falar sobre isso. Na época, para mim, era um pouco ilusão achar que se a pessoa pensasse no movimento estaria ativando áreas cerebrais responsáveis pelo movimento em si. Nunca mais esqueci e comecei a pesquisar sobre isso. Hoje eu inclusive utilizo esta técnica com alguns dos meus pacientes.

Este artigo de que estou falando (abaixo segue a referência bibliográfica) deixa claro que o treinamento motor está associado à mudanças na ativação neural do córtex motor primário, área motora suplementar e cerebelo. Estudos têm demonstrado que há equivalência funcional entre os dois métodos: execução motora e imagética. Ambos compartilham um padrão de ativação neural funcional, isto é, executar e imaginar uma tarefa motora ativa redes neurais similares, com efeitos positivos no aprendizado a longo prazo.

Para resumir o estudo, foram convocado 30 participantes neurologicamente saudáveis, destros, para participar da pesquisa. Eles foram divididos em três grupos: um realizava atividades puramente motoras com a mão esquerda, o segundo grupo trabalhava com a imagética, também relacionada à mão esquerda e o terceiro grupo era uma combinação das duas atividades (mental e motora). Na conclusão, eles verificaram que todos os grupos obtiveram melhora na execução da tarefa após o treinamento, o que demonstra que houve aprendizado motor ao final. O grupo que treinou de modo combinado (imagética + motor) obteve os melhores resultados, seguido pelo grupo que treinou o motor e por último o grupo que fez apenas a imagética.

Na ressonância magnética funcional, observou-se uma ativação aumentada do córtex pré-motor durante o treino motor e no giro fusiforme durante o treino mental. Ambas estruturas foram intensamente ativadas durante o treino combinado.

Esses resultados sugerem, hipoteticamente, que a combinação de treinamento motor e mental melhora a transformação de informação visual em execução motora assim como o programa motor por si só, ainda melhorando a habilidade do cerebelo de selecionar o comportamento motor apropriado com base nos programas motores armazenados.

Baseado nisso, utilizar a imagética associada ao treino motor propriamente dito em atletas ou na reabilitação de pacientes pode ser uma forma de incrementar o treinamento, em busca de um melhor aprendizado motor. Ou ainda, utilizar a imagética, de modo precoce, em pacientes que ainda não recuperaram o movimento ou que apresentam apenas um esboço, pode ser uma chave para iniciar a reabilitação, visando o alcance do reaprendizado motor a médio/longo prazo.

Fonte:
– Olsson CJ, Jonsson B, Nyberg L. Learning by doing and learning by thinking: an fMRI study of combining motor and mental training. Frontiers in Human Neuroscience, 2008; 2(5): 1-7. (www.frontiersin.org)

– Malouin F, Richards CL, McFadyen B, Doyon J. Nouvelles perspectives en réadaptation motrice après un accident vasculaire cérébral. Médecine Sciences, 2003; 19(10): 994-998. (www.erudit.org)

Tônus Muscular

Esse foi à pedidos… Espero que ajude na prova!!


 

Tônus Muscular


O tônus muscular é a tensão de repouso e reatividade ao alongamento passivo. É o grau de contração mínima permanente do músculo. Em repouso, o tônus muscular é mantido pelos impulsos provenientes da medula espinhal. Estes impulsos são controlados por estímulos que partem do encéfalo e por impulsos que partem dos fusos musculares localizados dentro do próprio músculo. Estes fusos musculares transmitem impulsos à medula espinhal através das raízes posteriores, onde excitam os neurônios motores anteriores, que então fornecem os estímulos nervosos necessários para manter o tônus. O bloqueio das raízes posteriores reduz o tônus muscular, tornando o músculo flácido.


O tônus muscular é o resultado da interação de uma série de fatores, como: os padrões de ativação dos músculos (programa motor) que é mutável devido à plasticidade; controle neural (sistema alfa e gama); padrões cinemáticos (variação de velocidade e tempo de movimento); propriedades viscoelásticas do músculo; plasticidade adaptativa e neural; placing (capacidade de realizar movimentos harmonicamente). As propriedades viscoelásticas intrínsecas, os comandos motores descendentes e os proprioceptores musculares atuam em conjunto para regular o tônus muscular, que por sua vez varia de indivíduo para indivíduo.

Uma quantidade normal de tônus muscular assegura que o músculo esteja pronto para resistir a qualquer mudança em seu comprimento, auxiliando com isso a manutenção da postura, mas também que ele esteja pronto a contrair-se ou relaxar-se rapidamente quando os sinais de controle apropriados atingem os motoneurônios para produzir um movimento coordenado. O tônus pode ser influenciado por doenças ou lesões em vários níveis do sistema nervoso, que podem causar hipertonicidade ou hipotonicidade.

Hipertonicidade:
Espasticidade é definida como uma disfunção motora caracterizada por um aumento, dependente da velocidade, nos reflexos de estiramento com espasmos exagerados no tendão e é um componente da síndrome do neurônio motor superior. A espasticidade também altera as propriedades físicas do músculo e de outros tecidos.
Rigidez é caracterizada por uma resistência elevada ao movimento passivo do membro, mas é independente da velocidade do alongamento. Pode ser resultado da hiperatividade dos sistemas fusimotores. Normalmente está relacionada a lesões em gânglios basais.


Hipotonicidade:
Hipotonia é a redução da rigidez de um músculo ao alongamento. Normalmente é seqüela de lesões espinocerebelares.

Fatores que influenciam o tônus: aquisição de nova tarefa, medo de cair, dor ou expectativa da dor, comando verbal muito longo ou confuso, necessidade de fazer algo rápido, estado emocional, novos contatos pessoais, tensão adversa do sistema nervoso, nutrição e padrões reflexos.

Fontes:

UMPHRED, DA. Reabilitação Neurológica. São Paulo: Manole, 1994

FURTADO, C. Mecanismos Fisiopatológicos da Hipertonia Espástica: Aspectos Neurais e Musculares.

http://www.sogab.com.br/fisiologiamusculoestriadoesqueletico.pdf